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24.8.07

Torre Bela

Saímos do filme a comentar incessantemente aquela história. Este documentário é exemplar do sonho da revolução de Abril, na sua forma mais pura e contradita.
Das minhas reacções concluí que sou uma burguesa com peso na consciência. Compreendo e reconheço os direitos daquelas pessoas, mas desconfio das revoluções, não consigo evitar pensar que, se aqueles militares radicais (mesmo que bem intencionados, o que é discutível) não se tivessem metido, o final poderia ter sido diferente. O meu espírito moderadinho procura ordenar as coisas e, através dos compromissos, melhorar a situação das pessoas no final e parte do princípio que as revoluções acabam por gerar sempre uma nova elite. Em Portugal acabou por ser quase a mesma de antes, apenas um bocadinho mais inteligente e liberal. Eu penso que podia e devia ter mudado mais: estar mais próxima e menos acima de quem delega o poder, respeitar a vontade de quem delega o poder, reconhecer que os seus privilégios a obrigam a servir quem não os tem e a procurar que esses se aproximem do seu patamar de bem estar.

Um aparte: até mesmo os revolucionários do MFA eram machistas. Na hora de decidir quem ia para a cozinha, a escolha foi óbvia. Além de que aposto que a história da ocupação começou por causa daquela senhora que queria aproveitar a azeitona e depois é que as massas foram atrás, lideradas por... um homem.
Outro aparte: até chorei na cena do Grândola Vila Morena à chuva, isso é uma atenuante ao meu cinismo?
E, para acabar, a resposta à minha curiosidade sobre o que teria acontecido à herdade. Indispensável ler.

2 Comments:

  • At 24/8/07 11:17, Anonymous Rita said…

    Também já tinha ido à procura do desfecho... e com este vieram também umas lágrimas (pela senhora das azeitonas)! Sem dúvida um filme que nos deixa a pensar... logo continuamos os nossos "comentários".

     
  • At 4/9/07 19:09, Blogger Philipa said…

    Eu chorei só de ver o trailer! tenho que ver tudo!

     

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